Reforma antecipada/Independência financeira em Portugal: possibilidade ou utopia?

Artur Mariano — Co-fundador Arrowplus, investidor imobiliário e analista

Artur Mariano, PhD é investidor imobiliário há mais de 10 anos, accionista maioritário da ArrowPlus, coach e analista imobiliário. É doutorado (PhD) pela Universidade Técnica e Darmstadt, na Alemanha. É analista imobiliário na ArrowPlus e conta com passagens e ligações a várias consultoras de renome, como a Empiricus Research Portugal. Escreve regularmente para a impressa e websites de expressão ligados a finanças, economia ou imobiliário.

“Investir em imobiliário: do 0 ao milhão” foi escrito por Artur Mariano, PhD, com vista a ser a referência dos livros em Portugal para investimento imobiliário. O livro cobre vários aspectos do investimento imobiliário, incluindo modelos de investimento, questões relativas a financiamento e procura de imóveis, entre muitos outros. Este livro é direccionado para todos os investidores, desde os iniciantes aos experientes, e para pequenos e médios senhorios.

Se lhe dissessem que a reforma antes dos 30 anos fosse possível, diria possivelmente que seria piada. Mas será mesmo? O conceito de independência financeira – não ter que trabalhar mais por dinheiro – já apareceu nos Estados Unidos há algum tempo, mas só agora chega, timidamente, a Portugal.

Já pensou ou já ouviu dizer como seria viver sem ter que trabalhar, por ter rendimentos passivos suficientes para cobrir o seu estilo de vida, as suas contas. Esta lógica é simples se pensar em depósitos a prazo e juros: imagine que lhe caíam na conta juros suficientes para atingir a sua independência financeira… o que faria da sua vida se assim fosse?

A pensar deste conceito ser conhecido lá fora, e amplamente usado nos Estados Unidos (foi popularizado em parte pelo Robert Kiyosaki, autor de “Pai Rico, Pai Pobre”), em Portugal é muito pouco vulgar ler-se sobre o tema. Felizmente, depois de ter eu próprio entrado na rota da independência financeira através do imobiliário, a ArrowPlus captou vários clientes investidores imobiliários com o mesmo objetivo.

Eu defino “independência financeira” como o estatuto em que os rendimentos passivos de alguma pessoa chegam para cobrir as suas despesas fixas, e por isso a pessoa não ter que trabalhar mais por dinheiro. Ou seja, mesmo sem um salário, não teria problemas em pagar as suas despesas. Mas rendimentos passivos… o que é isso?

Os rendimentos passivos são aqueles que são gerados sem necessidade da sua intervenção. Por exemplo, quando os inquilinos me pagam a renda, não houve necessidade da minha intervenção. É claro que durante o mês é necessário fazer tudo para que esteja tudo bem com a casa, resolver eventuais problemas que surjam, etc. Porém, os rendimentos prediais (vulgo rendas) são geralmente considerados passivos, porque não implicam que se levante da cama religiosamente da cama todos os dias “para ir trabalhar”.

Por pensar em rendimentos passivos como aqueles que não requerem o seu tempo ou competência e uma troca destes por dinheiro. É claro que, dito isto, necessita de ter competência para investir capital, e para montar um plano que lhe permita atingir a independência financeira. Porém essa competência é “apenas” necessária para poder organizar a sua vida financeira por forma a atingir a independência financeira – não para gerar rendimento.

Exemplos de rendimentos passivos incluem rendas de imóveis, royalties (por exemplo de livros e patentes), rendimentos de capital (como ações, obrigações e negócios), etc. Para ter uma carteira de rendimentos passivos (se ainda não tem ou começou) deve começar hoje. Eu demorei cerca de 11 anos a montar a minha própria carteira de investimentos, por isso é algo que é moroso e tem que ser bem estruturado desde o início. Também deve considerar que é necessário tirar partido da composição do dinheiro e da valorização dos ativos. Por isso é que é importante começar (seja investir em imóveis ou outros ativos) cedo.Na minha opinião, existem 4 vetores essenciais para atingir a independência financeira:

Receita base para atingir a independência financeira

Na minha opinião, existem 4 vetores essenciais para atingir a independência financeira:

1. Poupança Sabe quanto gasta por mês? O primeiro passo é conhecer os números. O segundo é cortar naquilo que não o faz feliz – há muita coisa onde o comum cidadão gasta dinheiro sem que se aperceba ou tire valor efetivo. Adaptar um estilo de vida mais frugal (desde o minimalismo ou a poupança apenas nas despesas maiores) é o primeiro passo para se tornar financeiramente independente.

2. Diminuição de impostos Como acontece com qualquer ato ilegal, sou manifestamente contra a evasão fiscal. No entanto, a diminuição de impostos que pagamos não tem que ser ilícita, dado que o próprio código fiscal prevê várias formas de diminuição de impostos. Por exemplo, ao contribuir para um PRR tem direito a um beneficio fiscal. O meu conselho é simples: procure um contabilista experiente e discuta o seu plano com ele. Os benefícios fiscais do código fiscal são excelente ponto de partida.

3. Aumento da receita O aumento da receita pode ser feito de várias formas. Muitos dos meus clientes tiveram sucesso em negociar os seus salários, tanto negociando com a entidade patronal como mudando para outra empresa. Outros, e talvez aqueles que obtiveram os melhores resultados em geral, iniciaram uma atividade em part-time. É interessante que a maior parte dos meus clientes tenha nalgum ponto evocado falta de tempo para iniciar tal atividade. A falta de tempo depende da perspetiva. Eu aprendi a mostrar outras perspetivas a esses clientes, dizendo-lhes que se precisam de uma hora para se deslocarem para o trabalho e outra para voltar a casa, então perdem quase 1 ano de tempo útil a cada 10 anos!

4.Investimento Tecnicamente investimento é parte do aumento da receita, mas por ser tão importante e peculiar ao mesmo tempo, considera-se por norma este ponto à parte do aumento da receita. O tipo de investimento e retorno que deverá ter dependerá da sua estratégia. Ferramentas de investimento incluem imobiliário, ações e obrigações, entre outras. Há vários graus de risco e passividade. Se calhar nunca investiu na bolsa – afinal cerca de 90% dos portugueses nunca investiram na bolsa. No entanto, sabia que o retorno do S&P500 é, historicamente, de mais de 9%? Discuta o seu portfólio com um consultor especializado, certificando-se que está confortável com o risco ao qual está exposto.

Seguir esta fórmula não é difícil, e na realidade até se torna hábito para muitos – tal como se tornou para mim. O objetivo deste artigo é dizer que, com uma estratégia, é atingir a reforma mais cedo do que se espera. Ou pelo menos deixar de trabalhar por ter que ganhar dinheiro, e atingir assim a independência financeira.

Devo também dizer que enquanto para algumas pessoas o foco deve ser distribuído de igual forma pelos quatro componentes, outras pessoas devem focar-se mais em componentes específicos.

Um abraço,

Artur Mariano.


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